sábado, 5 de março de 2011

Águas!

Nas imensas caminhadas que faço por trajectos sinuosos, é frequente deparar-me com lugares isolados e revestidos de uma beleza ímpar e quase inexplorada. Há muitos anos que estes caminhos me atraem, fascinam e mais do que procurar deliberadamente os encantos naturais das serras, vales e planícies, prefiro descobri-los por acaso e deixar-me embriagar pelas suas extraordinárias composições e maravilhosos cenários.

Perto de casa, há muito que percorro os pequenos trilhos por entre a vegetação alta e o arvoredo, tão graciosamente visíveis pela passagem de pessoas, de animais e até por pequenos cursos de água que ali correm nas chuvas fortes de inverno. Mais longe e sempre que as minhas férias o permitem, parto à aventura em lugares desconhecidos, belos, perigosos até, mas sempre com o mesmo espírito que a descoberta me oferece.

Numa dessas vezes, palmilhei um conhecido parque natural do nosso país, caminhando horas debaixo de um calor abrasador, ainda que atenuado pela sombra das árvores e pela fantástica sensação de ar puro que dali advinha. Fiz-me cedo à estrada, caminhando quase toda a manhã, subindo, descendo, caindo, levantando-me, embora continuando sempre em busca do maior prazer que a natureza me pode oferecer: equilíbrio! Nunca me perdi, nunca tive medo de ficar preso num lugar de onde pudesse precisar de qualquer ajuda e embora compreenda que os perigos são imensos, a confiança com que encaro estes desafios, impele-me a derrotar o medo, a carregar-me de coragem e a focar-me na vontade de chegar mais além. No fundo, são pequenas expedições onde a paz de espírito é uma meta a alcançar e um objectivo a perseguir... Curiosamente, naquele dia foi diferente...

Depois de muito caminhar, parei numa pequena clareira ao início da tarde para me hidratar e alimentar. Por ali descansei e por ali adormeci com a saudável brisa a beijar-me o rosto e com o som das cigarras a acrescentarem um toque especial àquele lugar. Aos poucos, ganhei coragem para me levantar, colocar a mochila às costas e andar um pouco mais para Noroeste, ainda antes de pensar em descer e fazer o caminho de regresso a casa. À medida que os meus passos iam pisando a caruma dos pinheiros e os troncos secos das árvores, ia aumentando o som de uma suposta queda de àgua ali perto. Entusiasmado, acelerei o passo e a ruidosa cascata fazia-se notar cada vez mais. Finalmente, deparei-me com um pequeno dique natural, uma espécie de lago natural alimentado por um riacho que ali desaguava por entre as pedras... Retirei a mochila das costas, descalcei-me e entrei naquela água límpida e extremamente convidativa debaixo do calor que se fazia sentir. Nadei um pouco, encharcando as calças e a camisa molhadas pelo forte suor que exalava do meu corpo. Soube-me bem aquele banho, fresco e convidativo num lugar tão único quanto especial. Olhei em redor e não se vislumbrava qualquer ser humano num raio de quase quilómetros. Qualquer, menos um…

Do outro lado do lago e junto às rochas, uma mulher escondia-se por detrás da queda de água. Gritei com a intenção de me dizer algo, mas a resposta foi nula. Segui até lá com fortes e apressadas braçadas, sempre com receio de que necessitasse de ajuda e não tivesse forma de a conseguir socorrer. Curioso contudo, foi o facto de me deparar com uma mulher nua, cobrindo os seios com os braços e procurando esconder-se de mim o mais possível. Virei o rosto e procurei inteirar-me daquela estranha situação. No final de contas, mais não era do que uma habitual tarde por parte dela até aquelas paragens, apenas para nadar e descomprimir um pouco, Fazia-o frequentemente, não só por conhecer extremamente bem aquele lugar, mas mais ainda, por saber que ali nunca se encontrava mais ninguém e onde poderia ter uma enorme privacidade e longe de olhares indiscretos.

Fitei-a uma última vez e lancei-me à àgua para regressar onde tinha deixado a mochila. A meio do percurso, senti um forte mergulho atrás de mim… Era ela, a Sofia!

Menos envergonhada mas ainda semi-nua, percorreu as águas até ao lugar onde eu permaneci imóvel ao ouvir o seu mergulho… Ergueu-se, colocou-se de pé e olhando-me nos olhos, beijou-me intensamente, colando os seios no meu peito ainda vestido, abraçando-me como se procurasse conforto. Reagi, estremecendo e arrepiando-me pelo instante… A água que caia do meu cabelo sobre o meu rosto, parecia gelar-me… As minhas mãos na pele molhada, mais não eram do que um estorvo inconsequente para a vontade que de mim se apoderava. Mordia-a no pescoço…

Continuei com as carícias, ora beijando-a pelo queixo, ora procurando aquela boca deliciosa, ainda encharcada pela água do nosso lago. Senti-lhe as mãos pelo meu ventre, descendo até ao meu sexo, massajando-o sobre o tecido molhado das calças e fazendo-o levitar um pouco… Voltei a estremecer, sentindo o coração bater descompassadamente… Aos poucos, as mãos dela libertaram-me da roupa, ficando apenas com a camisa a cobrir-me o tronco. Abracei-a e colei-me naquele corpo frio, repleto de pequenas gotas que lhe escorriam sobre a pele. Estava já completamente nua, colando as pernas nas minhas e puxando-me de encontro a si. Os nossos sexos tocavam-se lentamente, roçando-se esfomeados por um sentir mais intenso. O beijo que colava as nossas bocas afastou-se, dando lugar a um olhar nos olhos de ambos, docemente acompanhado por uma respiração ofegante. Quase sem darmos conta, estávamos a fazer amor…

Os nossos movimentos naquelas águas, passavam despercebidos pelo barulho da cascata que uns metros atrás, nos presenteava. A emoção vivida ao nos mimarmos daquela forma, foi algo único, conferindo-nos uma sensação de liberdade, bem-estar e satisfação. Fizemo-lo lentamente, com paixão, interesse e rodeados de um espírito de descoberta inesquecível. Já preenchidos, abraçámo-nos com carinho, repartindo aquele instante com a vontade de o prolongar. Permanecemos assim por uns largos momentos, conversando apaixonadamente. Acabámos por sair daquele lugar e regressar à civilização. Fizemos o trajecto de regresso juntos, de mão dada e fazendo o percurso que ela conhecia. Aliás, era bem mais fácil e bastante menos acidentado que o meu… Nos dias seguintes, repetimos aquele momento por variadíssimas vezes, ainda que noutros espaços igualmente inesquecíveis. Espero um dia voltar áquele lago, tão somente pela doce recordação do momento que tão especialmente ali vivi.

6 comentários:

desejo disse...

Um momento de "sufoco" que me fizeste sentir pela saudade dos teus momentos vividos e aqui contados.
A natureza tem o dom de unir pessoas, libertar tensões, recordar pazeres ocultos.

:) desejo


Volta breve

carpe vitam! disse...

ummmmm, que belo mergulho me proporcionaste agora!

Lúcio Ferro disse...

Mas porque caralho é que os trajectos hão-de ser sempre sinuosos, porque merda é que terão sempre lugar em sítios isolados e revestidos de belezas ímpares, porque catano terão sempre algo a ver com fascínios e mais do que procuras com serras, vales e planícies? Bardamerda isso tudo, haverá alguém que se interesse onde passou as férias ou com quem se deitou nas ditas ou sequer se foi em voo charter ou em classe executiva?

Enfim, just a thought.

NM disse...

Pelos vistos, tu :))) Ficaste até ao fim e engoliste a cantilena toda :))) Masoquismo ou frustração? Sê benvindo, Lúcio Arames :)))

Nanny disse...

Vim cá para te deixar um beijinho e desejar um Feliz Ano Novo... que 2012 seja um pouco melhor...

Sei Lá!

carla disse...

Olá! Ja tinha saudades de ler os teus contos cheios de erotismo. voltei ao meu blog se assim desejares visita me bjo
carla granja

http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt/


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