domingo, 11 de julho de 2010

Tréguas...

Tarde, quase noite...
Do alto daquela encosta escarpada sobre o mar, encontrámo-nos para resolver um conflito que há muito nos separava. Assuntos mal resolvidos, acusações de parte a parte e um sem número de erros grosseiros, fizeram com que ali estivéssemos àquela hora para conversarmos e colocar um ponto final numa zanga que se arrastava há demasiado tempo.
Ao longe, o sol sumia-se timidamente pelo horizonte, parecendo ser engolido pelas águas de um oceano tranquilo e imenso.
Dentro do carro, um silêncio asfixiante tomava conta de nós, incapaz de quebar o gelo ou de ser um aliado no começo de uma conversa tida como inevitável. Respirei fundo e comecei a falar...
Civilizadamente, mantive um discurso coerente, denotando lucidez, assumindo erros e apontando ao que não me parecera correcto. Do outro lado, ela mantinha-se cabisbaixa, tão culpada quanto eu, tão inocente como também eu...
Respondeu-me com educação, inteligência e enumerando tudo o que lhe pareceram atitudes irresponsáveis e reprováveis. Da sua boca saía uma voz contagiante, bem diferente daquela que uns dias antes vociferava e parecia lançar fogo sobre mim. Limitei-me a seguir os movimentos daqueles lábios, perdendo o interesse no raciocínio que dela advinha, focando-me exclusivamente nas expressões que ela transmitia ao sabor das suas palavras. Ceguei por completo e agindo como se viajasse no mais perfeito dos sonhos, aproximei-me e beijei-a como se na minha impetuosidade estivesse a única solução para terminar a nossa guerrilha.
Ela quebrou e vencida pelo desgaste das discussões, retribuiu o carinho, molhando-me o rosto com um lágrima de alívio, ainda que pincelada de alguma raiva interior. Foi fácil de a compreender, também me mostrando feliz pelo desfecho a que atrevidamente me expus, sem saber a que resultado chegaria. Seguido do beijo, um abraço sentido reforçou a nossa trégua, ainda que tivesse tido a capacidade de soltar os nossos desejos mais primitivos. As mãos trémulas por um incontrolável nervoso miudinho, depressa percorreram o corpo de ambos, fortalecendo um novo beijo e enterrando de vez o machado de guerra que nos separava. Desajeitados e inconscientes, despimo-nos o suficente para fazermos amor. Senti-a trepar para o meu colo, levantando um pouco a saia e entregando-se por completo, permitindo que a possuísse e lhe tocasse. Abriu a camisa, oferecendo-me os seios espetados e ávidos dos meus lábios... Apertei-os, beijei-os e lambi-os como se ali estivesse tudo o que necessitava para nos conceder o perdão. Abracei-a com força, sentindo aquele volumoso peito de encontro ao meu e aumentando o ritmo com que nos fomos saciando.
Apesar de desconfortáveis, nunca aquele lugar nos terá parecido tão perfeito. Cúmplices e sedentos, dalí saímos sem nada mais a discutir... Pelo menos, até hoje!

8 comentários:

Anónimo disse...

A melhor forma de acabar uma relação.

bj


:)desejo

Anónimo disse...

ola,o melhor depois de uma briga é fazer as pazes.

Anónimo disse...

ola,o melhor depois de uma briga é fazer as pazes.

Anjo disse...

Acabei de sair de uma releção,gostava de ter terminado assim...

Pekenina disse...

Estou com o segundo anónimo... É como matar as saudades depois do tormento de as ter :)

Nany C. disse...

e de tudo o melhor é saber dos próprios erros e sem medo os admitir.
mesmo que se finde ali... o coração não carregará pesos...

Meu doce amigo... Saudades de vir aqui e ler-te...
Uma linda semana pra ti!

Beijos no teu coração sempre!!

QuartoCrescente disse...

Durante discussões sempre dizemos coisas que não queremos nem sentimos ... somos tomados por emoções que nos deixam fora de nós mesmos...mas também muitas vezes me questiono se fazer amor será "enterrar o machado de guerra" ou não será uma fuga, uma maneira egoista de satisfazer uma carência que se instalou, uma cobardia para resolver o que realmente precisa de ser resolvido, um adiar de situações ou um simples acto primitivo... É claro que podia escrever muita coisa sobre este assunto tão vasto que são as relações humanas. A cada um cabe a melhor forma de resolver ou não resolver. O não resolver situações muita vezes é também solução.

Felina disse...

Descrito deliciosamente como sempre

Os actos só devem vir depois de todas as palavras... quando as palavras não saiem todas, ficam presas até à próxima discussão... mas é tão bom fazer as pazes


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